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Recife

Cola vira armadilha contra o Aedes

  • Pedro Alessandro Silva
Cola vira armadilha contra o Aedes

DENGUE 23

Alunos e professores da Faculdade de Medicina de Olinda (FMO) desenvolveram um projeto de iniciação científica contra o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. A estratégia consiste na confecção de armadilhas com colas biológicas que podem ser aplicadas com pincel em qualquer superfície têxtil ou lisa, como vidros ou painéis. O material é extraído da planta braúna. A ideia é usar as mesmas barreiras mecânicas que já existem contra mosquitos, como as telas instaladas em janelas, e impregnar esses equipamentos com a cola biológica, fazendo o Aedes ficar preso e morrer.

Os mosquitos serão atraídos por uma substância advinda de um produto que será salpicado na tela. Esse elemento ainda está sendo estudado mas não representa risco para a saúde humana, tampouco a cola biológica. Mesmo assim, os pesquisadores afirmam ser preferível instalar o material em locais altos nas residências que tenham crianças. Carlos Brandt é diretor acadêmico da FMO, professor titular de cirurgia pediátrica da Universidade Federal de Pernambuco e pesquisador do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq). Ele está à frente da iniciativa. De acordo com Brandt, a seiva da braúna produz uma cola que consegue ficar entre 90 e 120 dias com efeito adesivo. A braúna é mais farta na Região do Cariri, no estado do Ceará, divisa com Pernambuco. Há muitas braúnas nas cidades de Barbalho, Crato e Juazeiro do Norte. Os pesquisadores pernambucanos estão em contato com os municípios para obter o material. O trabalho é pioneiro no Brasil, mas uma experiência semelhante já foi utilizada com sucesso na Tanzânia e Zâmbia, contra os mosquitos transmissores da malária.

“Uma solução simples, mas a ideia é alargar para que fique em telas de mais ou menos um metro nas casas”, explicou Carlos Brandt. “Se for produzido em escala, é um caminho de controle direto do vetor, enquanto se aguarda a vacina”, observou. Brandt contou que o projeto piloto foi desenvolvido na própria FMO. Há mais de um mês, foram colocadas as primeiras miniaturas das armadilhas com a cola para pegar os mosquitos nas janelas da faculdade. Os mosquitos capturados estão sendo levados ao departamento de Entomologia, que estuda insetos, da UFPE. O objetivo é instalar as armadilhas nas casas dos bairros onde houve maior índice de infestação do Aedes em Olinda. Para isso, a prefeitura forneceu o georreferenciamento da cidade.

Cooperação 
O projeto tem a parceria da Secretaria de Saúde de Olinda e da UFPE. O primeiro bairro que receberá os equipamentos é Peixinhos, que deve ser uma espécie de segundo projeto piloto. Cinco estudantes de medicina abordarão os moradores com agentes de saúde da cidade para instalar as armadilhas nas casas onde houver permissão. “Se houver a adesão da comunidade poderá ter um efeito importante na diminuição das arboviroses. Vamos conversar com os líderes comunitários. No entanto, a medida é complementar. Não substitui os cuidados no combate ao Aedes”, afirmou Carlos Brandt.

 

Diário de Pernambuco