Visitas: 3

A Voz da VitóriaA Voz da Vitória
Lagoa do Carro

Cinema de luxo e de graça

  • Lissandro Nascimento

Em 1997, o jovem casal de cineastas Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi (realizadores dos filmes Bicho de sete cabeças, Chega de saudade e As melhores coisas do mundo) veio a Pernambuco com um projetor 16mm, uma tela de 1,80m X 2,20m, equipamento de som, gerador e curta-metragens brasileiros amontoados em uma Saveiro. O Estado foi um dos lugares visitados nos quase 15 mil quilômetros percorridos pela dupla à época da gravação do documentário Cine Mambembe: o cinema descobre o Brasil.

O filme mostrava o trabalho social de cinema itinerante iniciado por eles na periferia de São Paulo, levado agora para os quatro cantos do País, desde cidades grandes até tribos indígenas. Hoje, o projeto volta a Pernambuco, dessa vez sob o nome de Cine Tela Brasil, mas segue o mesmo sistema utilizado há 14 anos: acesso gratuito, filmes nacionais e localidades díspares.

As duas cidades escolhidas para acolher o cinema cigano foram a pequena Lagoa do Carro, na Zona da Mata Norte, e Recife, capital do Estado. Na primeira, os filmes exibidos na quinta-feira, na Praça Manoel Barbosa, centro da cidade. Já aqui, as sessões ocorrem de quinta-feira até o próximo sábado, entre os bairros da Tamarineira e Casa Amarela.

De cara, já se pode notar que o projeto cresceu. O cinema mambembe ganhou patrocínio e padrão de shopping center. Agora, viajam pelo País 225 cadeiras acolchoadas, projeção cinemascope 35mm, som stereo surround, tela de 21m² e até ar-condicionado. Tudo isso com ares de mágica, em um toldo que simula estética clássica e tapete vermelho.

Também ficaram maiores os filmes exibidos. No novo formato, a programação engloba longa-metragens brasileiros. São escolhidas películas de classificação livre, pois a intenção do projeto é tornar o cinema acessível para todos, de maneira que não se deve existir nem mesmo a barreira etária. Para Pernambuco, foram destinados O grilo feliz e os insetos gigantes (Walbercy Ribas e Rafael Ribas, 2009), Eu e meu guarda-chuva (Toni Vanzolini, 2009), Antes que o mundo acabe (Ana Luiza Azevedo, 2010) e Lisbela e o prisioneiro (Guel Arraes, 2003).

O Cine Tela Brasil não termina ao fim da sessão. Os cineastas realizam workshops de audiovisual nos locais visitados e disponibilizam, no portal do projeto na internet (www.cinetelabrasil.com.br), oficinas virtuais. Tudo para que o público, mais do que espectador, possa ser produtor de cinema. Afinal, cinema é feito de histórias e história todo mundo tem uma para contar.