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Cientista já sabe como sêmen transmite o HIV

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Grupo dos EUA estudou casais homossexuais, após contaminação de um parceiro, e identificou que vírus da aids é propagado como fitas de RNA que ficam soltas no líquido e levam material genético

SÃO PAULO – Por mais avanços que os cientistas tenham feito no estudo da aids nos últimos 25 anos, pouco se sabe ainda sobre os mecanismos que o HIV usa para se espalhar. Agora, estudando seis casais homossexuais em que um homem tinha acabado de contaminar o outro, um grupo dos Estados Unidos conseguiu ao menos dizer qual parte do sêmen é responsável por transmitir o vírus.

O sêmen é um líquido heterogêneo, que carrega espermatozoides e células do sistema de defesa do corpo, os glóbulos brancos. Esse tipo de célula costuma ser atacada pelo HIV, que aloja seus genes no DNA do glóbulo branco. É por isso que a aids abala a capacidade de defesa do organismo e o portador que não toma remédios fica vulnerável a doenças. Seria, então, possível que os glóbulos brancos tivessem um papel na transmissão, mas os cientistas viram que isso não acontece.

O vírus se propaga, na verdade, como fitas de RNA, molécula irmã do DNA, que ficam soltas e que carregam todo o material genético do HIV, com as instruções de que ele precisa para se reproduzir e dominar o hospedeiro, flutuando no sêmen. Ou seja, o vírus em sua forma completa não tem papel crucial na infecção, explicam os cientistas na última edição da revista Science Translational Medicine.

É possível saber isso porque, como o HIV tem alta taxa de mutação, os vírus flutuantes do sêmen, que estavam separados na vesícula seminal de quem o transmitiu, têm ligeiras diferenças genéticas quando comparados com os dos glóbulos brancos, que estão alojados na corrente sanguínea.

Analisando diferença na sequência de letras químicas do genoma dos vírus presentes nos indivíduos recém-infectados dos casais, foi possível saber em qual dos dois lugares eles se originaram. Saber qual parte do sêmen carrega o vírus torna possível definir um alvo para eventuais medicamentos ou vacinas que evitem a sua transmissão.

Ainda é preciso, porém, entender melhor os mecanismos químicos e celulares do contágio por HIV por meio do sêmen. É algo importante, porque, apesar de o vírus também estar presente no sangue, nos líquidos vaginais e no leite materno, é por meio do sêmen que a maioria das pessoas se contamina. “Nós não sabemos como é no caso de sexo entre homens e mulheres, tanto vaginal quando anal. Mas é lógico imaginar que as conclusões seriam as mesmas, diz Davey Smith, da Universidade da Califórnia e um dos autores do estudo.
(Jornal do Commercio)