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Chuvas fortes assustam população do Interior

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DIEGO MENDES

Os desastres provocados pela chuva e pela falta de infraestrutura urbana, que causaram a tragédia de quase 200 mortos no Rio de Janeiro nesta semana, vêm deixando moradores do Agreste e Sertão em estado de alerta.
O motivo é que a frente fria que assusta os cariocas já chegou ou Nordeste e provocou chuvas de média e grande intensidade nestas regiões pernambucanas. De acordo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a cidade sertaneja mais atingida foi Serra Talhada, onde, na madrugada de ontem, choveu mais de 124 milímetros.
Segundo o coordenador da Defesa Civil da cidade, Fred Pereira, foi o maior evento pluviométrico do município nos últimos 15 anos. “O centro da cidade e o bairro São Cristovão ficaram inundados. Hoje (ontem), o comércio ficou praticamente fechado”, contou.
Na Zona da Mata Norte, a situação não é muito diferente. Um raio caiu em uma casa na madrugada de ontem em Tracunhaém. O casal José Alberto da Silva, de 44 anos, e Maria Soledade de Araújo, 45, foram atingidos. Mas, apesar do susto, as vítimas foram liberadas do Hospital Ermírio Coutinho, em Nazaré da Mata, sem ferimentos graves, duas horas depois de serem medicadas.
Em Pesqueira, Riacho das Almas e Garanhuns, no Agreste, também foram atingidas pela chuva. Nos bairros Jardim Petrópolis e Liberdade, em Garanhuns, calçadas e bueiros foram destruídos e sete famílias precisaram deixar suas casas. Na terra dos Caiporas, a delegacia ficou inundada. Já em Riacho das Almas, a cruz da torre da igreja despencou. Ninguém ficou ferido nesses municípios.
Com os transtornos registrados nas cidades do Agreste, Sertão e Zona da Mata, a caruaruense Arivânia Maria da Silva, de 35 anos, também está apreensiva. “Estava almoçando com minha filha hoje (ontem) e nos assustamos com um forte trovão. Com tudo que estamos vendo pela TV, fico apreensiva com essa chuva”, disse.
Para evitar problemas em Caruaru, a Defesa Civil do município está solicitando que os moradores não joguem lixo no Ipojuca e nem no meio da rua, para evitar inundações que ocorrem sempre que o nível do rio sobe. Como aconteceu, por exemplo, em maio de 2009.
O meteorologista do Inmet, Ednaldo Araújo, explicou que essa situação deve permanecer inalterada até a próxima terça-feira.
“Esse sistema deve se dissipar nas próximas 96 horas. Depois desse prazo, outro sistema poderá se formar e voltar a provocar chuva”, alertou. Segundo Araújo, a água que cai em Pernambuco não é a mesma da frente fria do Rio de Janeiro. “Os eventos no Estado estão associados à interação dessa frente fria com a área de instabilidade continental, que aumentou a nebulosidade no Nordeste”.
(Folha de Pernambuco).