
Theodora e Rhaquel oficializaram união homoafetiva
Folha de Pernambuco
De mãos dadas e com a bandeira do movimento gay como símbolo, Theodora Nascimento e Rhaquel Bibiano entraram, ontem, no Fórum de Caruaru, tendo a certeza que a noite seria um marco na história do município. Além delas, Solange Pereira da Silva e Janaína Ferreira Tavares, que também se casaram, estavam radiantes e, em vários momentos, se emocionaram. Em meio aos aplausos dos amigos, familiares e integrantes do movimento gay de Caruaru, ambos os casais se beijaram e trocaram as alianças. “Tudo o que eu quero é respeito para mim e para minha família. Com essa cerimônia, quero gritar ao mundo inteiro que não existem regras para o amor”, enfatizou Theodora.
Logo após ouvir a notícia do casamento por uma emissora de rádio, o casal Cleide dos Santos e Rose Tavares, estiveram no Fórum para prestigiar o momento. “Tudo o que a gente queria está acontecendo. Esse casamento abrirá as portas para pessoas como nós, impossibilitadas de constituir uma família perante o Estado. Agora, vamos dar entrada nos papéis. Pensei que esse momento nunca chegaria”, desabafou a costureira, Cleide dos Santos.
O casamento civil, antes uma exclusividade para os casais heterossexuais, passou a ser liberado pela Justiça também para pessoas do mesmo sexo. O encarregado da oficialização da união ficou a cargo do juiz da 2ª Vara da Família, Adelmo Barbosa. “Sei que a iniciativa é mal vista por inúmeras pessoas, inclusive pela igreja católica, a qual sou seguidor. Porém, não posso, enquanto católico, misturar religião com a minha função. Estou fazendo isso em nome do Estado e da constituição do País, que atribui direitos iguais a todos. Além do mais, no artigo 1.521 do Código Civil, que fala dos impedimentos para o casamento, em nenhum momento existe veto para casamento de pessoas do mesmo sexo”, explicou.







