Visitas: 9

A Voz da VitóriaA Voz da Vitória

Capturado em Vitória diz: crime foi “ato de fúria”

  • A Voz da Vitória

Publicado em 20.05.2010

Rafael da Silva Lima, 27 anos, alegou ter assassinado a ex-mulher, a paraibana Íris de Freitas, após flagrá-la com outro. Ontem, mostrou-se arrependido

Wagner Sarmento

O pernambucano Rafael da Silva Lima, 27 anos, preso na tarde de anteontem em Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata de Pernambuco, confessou à Polícia Civil do Rio ter matado, por ciúmes, a ex-mulher, a paraibana Íris Bezerra de Freitas, 21.
O corpo dela foi encontrado dentro de uma mala em um canal no Leblon, na Zona Sul carioca, no último dia 8. A Divisão de Homicídios do Rio chegou ao suspeito através do pai dele, o desempregado Francisco Rosa Lima, 55, que mora na Favela da Rocinha e acompanhou a equipe policial até a casa de um amigo, que Rafael utilizava como esconderijo. O jovem, declarado foragido desde o dia 9, não ofereceu resistência.

A forma como aconteceu a prisão provocou críticas de membros da alta cúpula da Polícia Civil de Pernambuco e da Secretaria de Defesa Social (SDS), que garantiram não terem sido procurados pelos policiais fluminenses e classificaram a conduta como antiética.

O chefe da Divisão de Homicídios do Rio, delegado Felipe Ettore, afirmou ontem, por telefone, que o acusado admitiu a autoria do assassinato durante a viagem de volta para o Rio. Rafael disse que o ciúme o levou a cometer o assassinato. “Ele confessou o crime no avião.
Contou que flagrou a vítima com outro na casa dele e por isso resolveu assassiná-la”, declarou. O delegado Francisco Caúla, do município pernambucano de Chã de Alegria, vizinho a Vitória e onde o suspeito tem parentes, e o pai do suspeito já haviam dado essa versão ao Jornal do Commercio na edição do dia 13. “O pai dele colaborou conosco”, ressaltou Ettore.

A família da vítima afirma que o acusado era violento. Enquanto, antes de ser morta, Íris entrou em contato com parentes contando que o relacionamento havia chegado ao fim, Rafael insiste que eles só tinham “dado um tempo”.

Diante dos microfones, ontem, ao ser apresentado à imprensa, Rafael alegou que cometeu “um ato de fúria”. “Estava com raiva. Na hora, não pensei no que aconteceu”, defendeu-se, para em seguida se desculpar com os familiares da vítima. “Peço perdão à família dela toda, porque são pessoas muito especiais”, observou.

No depoimento oficial, na Divisão de Homicídios, Rafael valeu-se do direito de permanecer calado. Informou que só se pronunciará em juízo. De acordo com o delegado Felipe Ettore, o suspeito será indiciado por homicídio triplamente qualificado – motivo fútil, impossibilidade de defesa da vítima e ocultação de cadáver – e encaminhado à sede da Delegacia de Capturas e Polícia Interestadual (Polinter), no Rio. A pena pode chegar a 30 anos de reclusão.

As câmeras de um prédio no Leblon captaram a imagem de um homem carregando uma mala idêntica àquela onde o corpo de Íris foi achado. Rafael confirmou que jogou a bolsa no canal.

Felipe Ettore negou que tenha realizado buscas em Pernambuco sem o conhecimento da polícia do Estado e minimizou o mal-estar entre as instituições. “Não teve problema nenhum. Houve um ruído de informação”, despistou. Tratou de assegurar que trabalhou em parceria com a Polícia Civil de Pernambuco. “Fizemos contato com a polícia daí, que nos auxiliou”, disse.

Mas o secretário de Defesa Social, Wilson Damázio, e o diretor-geral de Operações da Polícia Civil, Osvaldo Moraes, afirmaram que não foram informados da presença dos agentes fluminenses.

(Jornal do Commercio).

LEIA MAIS:

Pernambucano: crime foi “ato de fúria”

MATÉRIAS VINCULADAS
Pai de suspeito ajudou polícia do Rio a achá-lo
“Alta cúpula da SDS não foi comunicada da ação”