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Candidatura à Mineira

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Hely Ferreira

Fruto de uma trajetória política costurada desde a época em que o avô foi escolhido através do Colégio Eleitoral presidente do Brasil, o governador do Estado de Minas Gerais vem se destacando no cenário nacional. Bem avaliado nas pesquisas, o senhor Aécio Neves vive um dilema em relação ao seu futuro político.

Cortejado a concorrer na chapa do senhor José Serra à presidência da República, o governador mineiro tem seguido as orientações do secretário de Florença, pois a sua demora só dilarga ainda mais a expectativa dos seus aliados. Qualquer decisão equivocada poderá causar-lhe grandes prejuízos, daí seu retardamento em se pronunciar com relação ao seu destino como homem público.

O atual disegno eleitoral requer por parte do governador mineiro uma análise bem mais profunda do que se pensa, vez que o seu futuro político encontra-se umbilicalmente atado a sua decisão em relação ao cargo que deve disputar nas eleições do ano em curso.

O grande dilema na vida do Senhor Aécio é se aceita ser candidato a vice-presidente na chapa do seu partido (PSDB), pois, salvo alguma catástrofe eleitoral, uma das vagas do Senado será sua, e como as últimas pesquisas apontam um declínio na candidatura de Serra, aceitar ser vice do político paulista está sendo encarado como uma aventura.
Por outro lado, caso não deseje participar da chapa presidencial, correrá o risco de ser preterido no futuro pelo seu partido, quando desejar alçar vôos mais alterosos.

O fato de se esquivar em ser vice na chapa do Senhor José Serra não é debalde. É provável que na mente do governador pairem algumas interrogações: se o meu governo é o melhor avaliado, por que motivo, então, não sou convocado para encabeçar a chapa?
Qual é a motivação para que a chance não seja dada a mim, já que o governador paulista foi testado nas eleições de 2002 e não logrou êxito?
Será que todo candidato à presidência da República pelo partido ao qual sou filiado tem que ter domicílio eleitoral em São Paulo?

A minha candidatura não deixaria o atual presidente menos tenaz na disputa, pois estivemos juntos em uma aliança aparentemente esdrúxula em 2008?
São questionamentos que só o tempo irá responder. Enquanto isso…



por Hely Ferreira,
Cientista político.