Publicado em 01.11.2009
CURITIBA – O câncer só perde para as doenças cardiovasculares no ranking das principais enfermidades que levam à morte no Brasil e no resto do mundo. Mas, em 2020, a doença pode chegar à primeira posição, o que tem levado a apelos no sentido de preveni-la e ao aprofundamento de estudos para buscar a cura, além de tratamentos mais eficientes. “É a doença mais desafiante para a medicina”, afirmou o presidente do 18º Congresso Brasileiro de Cancerologia, Luiz Antonio Negrão Dias.
De acordo com Dias, há 20 anos a diferença estatística entre mortes ocasionadas por doenças cardiovasculares e por câncer era de 18%. Hoje, caiu para cerca de 6% a 7%, apesar de o índice de cura do câncer ter aumentado substancialmente. Há 50 anos, o índice de mortalidade era de 70%.
Hoje, entre 54% e 56% dos doentes conseguem se curar. Mas, por outro lado, anualmente o número de doentes aumenta com 470 mil novos casos somente no Brasil, o que, segundo Dias, poderia ser reduzido com alterações em alguns hábitos de vida, como fumo, sedentarismo e alimentação não saudável.
No congresso, foram discutidas várias das armas terapêuticas à disposição dos oncologistas. Segundo o presidente do evento, elas se dividem em quatro frentes de batalha: cirurgia, radioterapia, quimioterapia e imunoterapia. No caso da cirurgia, a tendência é ser cada vez menos invasiva.
A última novidade trazida ao congresso é a robótica – no Brasil há quatro equipamentos, todos em São Paulo. Monitorado por computador movido por um médico, o aparelho trabalha com mais precisão e abrevia o tempo de recuperação do paciente.
Na radioterapia, a técnica conhecida como IGRT (radioterapia guiada por imagem) tem sido mais utilizada, pois, além de proporcionar maior precisão no alvo, não se perde o foco mesmo com a movimentação do paciente. A quimioterapia também vem ganhando, nos últimos dez anos, pelo menos três drogas novas por ano, com excelentes resultados. “As novas drogas são as vedetes dos congressos”, disse Dias.
Segundo ele, a tendência agora é a terapia alvo molecular, pela qual o medicamento espalha-se pelo corpo procurando o alvo. Os pesquisadores também têm se debruçado na imunoterapia, procurando vacinas que aumentem a imunidade.
Segundo ele, a tendência agora é a terapia alvo molecular, pela qual o medicamento espalha-se pelo corpo procurando o alvo. Os pesquisadores também têm se debruçado na imunoterapia, procurando vacinas que aumentem a imunidade.
Mas, segundo ele, todas as descobertas custam caro. “Ao mesmo tempo em que há muita esperança, há também muita preocupação, até porque não vai se ter dinheiro para tratar todos os pacientes, vão precisar de leitos e não têm”, destacou. Dias acredita que a regulamentação da Emenda 29, que disciplina os recursos da saúde nas três instâncias do Executivo (União, Estados e municípios), pode ajudar a suprir algumas deficiências.
(Jornal do Commercio).
(Jornal do Commercio).







