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Blair sabia que Saddam não tinha armas

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Publicado em 26.11.2009

LONDRES – O governo do ex-premiê Tony Blair recebeu, dias antes da invasão do Iraque, em 2003, informações segundo as quais Saddam Hussein havia desmantelado suas armas de destruição em massa, afirmou ontem um ex-funcionário de alto escalão do Ministério das Relações Exteriores , na comissão que investiga a participação britânica neste conflito.
A existência de armas de destruição em massa (ADM) no Iraque foi o argumento privilegiado pelos Estados Unidos, Grã-Bretanha e os países que os apoiaram para justificar a invasão. As ADM, contudo, nunca foram encontradas.

No segundo dia de audiências públicas em Londres da Comissão Chilcot, o então diretor de segurança internacional do ministério, William Erhman, declarou que a Grã-Bretanha recebeu informação de que essas armas poderiam ter sido “desmontadas” antes da invasão, iniciada em 20 de março de 2003.

“Nos últimos dias antes da ação militar, recebemos alguma informação de inteligência sobre armas químicas e biológicas que haviam sido desmanteladas e que o Iraque poderia não ter munições para utilizá-las”, declarou ele à comissão presidida por John Chilcot. “Havia dados contraditórios, portanto não acredito que invalidará o argumento sobre os programas de Saddam Hussein. Era mais sobre seu uso”, continuou. “Embora estivessem desmontadas, os agentes (químicos e biológicos) continuavam existindo”, completou.

Em 24 de setembro de 2002, o então primeiro-ministro britânico Tony Blair apresentou um documento segundo o qual Saddam possuía armas de destruição em massa que poderiam ser utilizadas 45 minutos após uma ordem.

Posteriormente, ficou demonstrado que o documento havia sido “inflado” e que foi acrescentada a menção dos “45 minutos” para torná-lo mais atraente.

Tim Dowse, outra testemunha do dia, negou a ideia de um pacto entre Saddam Hussein e a rede Al-Qaeda também levantado pelo presidente americano George W. Bush. “Encontramos provas de contatos entre responsáveis iraquianos membros da Al-Qaeda no final dos anos 1990”, explicou ele. “Mas chegamos à conclusão de que se tratavam de contatos muito esporádicos”, acrescentou.

Dowse disse que o regime iraquiano não estava, em 2001, entre as principais preocupações do governo britânico em termos de proliferação nuclear, mais voltadas, na época, para Líbia e o Irã.

A comissão, que iniciou anteontem a primeira série de audiências públicas sobre a participação britânica na Guerra do Iraque, deve publicar seu relatório final em 2010.
(Jornal do Commercio).