Nesta entrevista o apresentador Lissandro Nascimento comentou que há semanas temos acompanhado diante da imprensa vários casos na justiça como o de Maristela Justi de Jaboatão dos Guararapes, que depois de 21 anos conseguiram formar um Júri popular; e também estamos acompanhando o caso de Ipojuca, de Tarsila Gusmão e Maria Eduarda que depois de muito tempo parece que os Kombeiros vão a Júri popular. Afinal, o que está acontecendo com o Poder Judiciário Brasileiro? Esta morosidade não causa uma perplexidade na sociedade, quando vemos atos do fazer Justiça com as próprias mãos, já que a justiça não anda como deveria? Foram as indagações feitas a Bione.
“Embora estamos podendo ver de perto o caso de Jaboatão dos Guararapes e de Ipojuca, só 5% de cada 100 pessoas que cometem algum tipo de crime vão a julgamento. Veja como o caso dos Kombeiros como a coisa torna-se pública, quando a imprensa se posiciona a população também, e me parece sem dúvida alguma que os Kombeiros irão ser inocentados, pois o Júri popular numa situação como essa, os Promotores da cidade, as pessoas ligadas ao caso pediram para que fossem julgados no Recife, e a Promotoria preferiu que o julgamento acontecesse na Cidade de Ipojuca. Eu não sei sinceramente se esses Kombeiros possam estarem envolvidos, porém existem muitas versões para o fato, a imprensa nacional, a local com muito mais ênfase é claro, deu a impressão a todos nós que os Kombeiros talvez tem participação no crime, mas não exatamente que participaram da morte das meninas. Então a justiça por sua morosidade e pela quantidade de vezes que você pode recorrer, elas nos deixa perplexos, e mais grave do que isso, é a forma de julgar, por que se modifica quando é com diferença de um rico para um pobre, quando você passa a ter acesso a um bom padrão de vida e um bom advogado sua pena pode diminuir, já o pobre é julgado e vai para prisão. Pois imagine a condição quando agora que a justiça dá direito ao preso de votar nas eleições por que ainda não foram julgados. Muita gente ainda se encontra na prisão há muitos anos sem que possam ser julgados, imagine o caso de um inocente”, destacou o médico..jpg)
Ele citou como exemplo de comprometimento com a sociedade de outras esferas de poder: “Tivemos há poucos dias o projeto aprovado Ficha Limpa no Congresso Nacional, aprovado também no Senado com algumas modificações de palavras, tempo e verbos, nós acompanhamos e percebemos isso, então seguiu a sanção presidencial. Há alguns dias atrás era discutido um Projeto de Lei no Congresso a possibilidade de ser feliz. Pois alguém pode ser feliz por decreto? Obviamente ninguém vai deixar de votar num ficha limpa ou ficha suja. A conclusão que chegamos é que se deve fazer uma reforma sem dúvida, e a própria classe média possa ter suas modificações quando ela voltar a usar e depender de serviço público, para que possa ter um clamor a seu favor. Veja a classe estudantil quando se junta se não faz reforma. Na minha época de estudante eu estudei em escola pública e com um ensino de boa qualidade, e no primeiro vestibular que fiz aos 16 anos de idade terminando o ginásio passei em Medicina, e cinco alunos de minha turma do Colégio Ginásio Pernambucano foram aprovados em Medicina. Diga-me hoje qual escola de Pernambuco que faz isso?”, salientou Bione.
Defendendo a Reforma do Poder Judiciário, Bione aproveitou para defender também em outros setores sociais. “As escolas públicas hoje é de péssimo ensino, os professores das escolas públicas são os mesmos das privadas, e por que está acontecendo isto? Por que não há cobrança social? Deve-se ao fato da classe média não participar. Lembro que há algum tempo atrás um dono de uma construtora foi preso no Cotel/PE, sendo permitido que ele construísse uma casa dentro do presídio, enquanto a classe pobre faz rodízio de cama para ver quem dorme primeiro. Pois tem que existir Justiça, e isso só vai acontecer quando existir uma formação séria e clamor social”, reforçou.
Durante a entrevista o apresentador Lissandro Nascimento perguntou ao Bione quanto à reforma do poder judiciário e esta legislação cheia de brechas jurídicas.
“O objetivo de o cidadão ser preso é pagar pelo crime que cometeu e se ressocializar, pois isso precisa ser reformulado, por que como você pode se ressocializar sem mesmo você ter sido socializado”, comparou.
Segundo Edvaldo, algumas pessoas são criadas sem critérios e sem valores, isso decorre de uma má condição social onde as pessoas são criadas sem família e sem uma religião.
“As pessoas têm que ser criadas com símbolos da moral, da ética, do temor a Deus, a religião coloca isso com facilidade, então se você é criado sem uma religião, sem uma família, que valores você poderá ter?”, indagou.
“As cadeias ao invés de serem ambientes correcionais hoje são ambientes que dão condição para que a pessoa entre como elemento de baixa periculosidade e saia como um assaltante de banco”, exclamou.
Em seguida Lissandro indagou a Edvaldo Bione sobre o início de sua carreira política quando ele foi eleito vereador em 1992 no palanque de Dr. Ivo Queiroz.
Lembrando que iniciou sua carreira pública pelas mãos de Dr. Ivo a quem ele sempre agradece quando perguntado.
“Dr. Ivo tinha um trabalho social muito intenso, um carisma uma facilidade de convencimento que até hoje eu não encontrei em ninguém, além da grande fé que o povo depositava nele. Todos os políticos atuais surgiram pelas mãos de Dr. Ivo. A exemplo de Elias Lira, José Aglailson e Henrique Queiroz inclusive”, destacou Edvaldo.
Dentro da perspectiva da reforma do poder judiciário e do sistema prisional brasileiro como a Assembleia Legislativa poderia participar desse debate?, perguntou Lissandro.
Segundo Bione, essa é uma questão para ser discutida com toda sociedade envolvendo a Câmara de Vereadores, Prefeituras e a Assembleia Legislativa. .jpg)
“Toda a classe política precisa se posicionar. Infelizmente o que a gente vê são alguns vereadores que se utilizam do seu mandato como se fosse um emprego. Se você os tira das Câmaras eles não tem outra forma de se manter, pois não tem outra profissão eu vejo isso em muitas cidades,” concluiu.
Fechando a coluna semanal, foi indagado quanto a Copa de 2010, além dos preparativos da festa junina.
“Se for concretizado a venda do estádio do Náutico para o Grupo Jornal do Commercio, poderia levar o Náutico para o Engenhão para dar utilização ao estádio que custará 500 milhões de Reais”.
Continuando: “São Lourenço vai ser beneficiada com a construção dos conjuntos residenciais do Projeto Copa 2014, e a duplicação da BR 408 aquela área é grande, com uma qualidade melhor de acesso ao município irá crescer desafogando o Recife que está com um grande densidade populacional”, salientou.
Quanto à Copa, Bione acha que o Brasil terá dificuldade em vencer devido a escalação do técnico Dunga, que segundo ele não agradou a uma grande maioria da população do Brasil.
Quanto aos festejos juninos, Bione declarou que foi muito bom que os municípios tenham resolvido resgatar o Forró Pé de Serra.
“Pernambuco todo está se voltando para isso, essas “fuleragens chiques”, esses forrós de palavrões com termos impróprios para ser ouvidos por pessoas de bem, estão ficando com dias contados e os artistas da terra devem ser valorizados, porque temos muitos cantores e compositores de talento e qualidade, e isso deve ser valorizado”, finalizou.
Apresentação: Lissandro Nascimento.
Produção: Jáder Siqueira, Orlando Leite e Cláudio Gomes.
Equipe: Emerson Lima, Berg Araújo, Genilda Alves.



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