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Banda de rock vitoriense concorre ao Festival da Alemanha

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Publicado em 17.05.2009

Cinco bandas disputam a etapa pernambucana de uma seletiva para participar do maior festival de heavy metal do mundo, na Alemanha

Wilfred Gadêlha

O velho e bom sonho de uma carreira internacional nos moldes em que construíram Sepultura, Angra e Krisiun pode ter início hoje para uma felizarda banda de heavy metal pernambucana. Cinco bandas de variados estilos se apresentam no Downtown Pub, a partir das 18h, na segunda edição estadual da seletiva regional do Wacken Metal Battle, concurso mundial de bandas que premia a vencedora com um show no maior festival de metal, o Wacken Open Air, na Alemanha, e, de quebra, um contrato para a gravação de um disco e turnê pela Europa.

Estão na disputa bandas de variados subgêneros do metal, numa pequena, mas significativa amostra do que se faz no cenário pernambucano: Caravellus, Infested Blood, Oddium, Alkymenia e Obscurity Tears. Cada uma terá 30 minutos para apresentar seu repertório. Só vale música própria e em inglês.

As bandas estão empolgadas com a chance de repetir os feitos de duas formações brasucas que já venceram a competição mundial. Em 2005, os mineiros da Tuatha de Dannan e seu folk metal repleto de referências à música celta e ao universo místico de duendes e elfos foram os vencedores. Há dois anos, os paulistas da Torture Squad arrepiaram no Wacken com seu death/thrash metal e abocanharam um contrato com a gravadora oficial do festival, o que lhes rendeu uma robusta turnê européia ao lado de Exodus e Overkill este ano.

Entre as bandas concorrentes, a mais antiga é o Obscurity Tears. O quinteto vitoriense foi fundado em 1994 e já tem nas costas dois EPs – o mais recente, My chemical state, lançado virtualmente no mês passado, antecede o primeiro álbum completo, a sair ainda este ano. “A experiência e a longevidade da banda são, sem dúvida, um componente importante para uma competição como essa. Apesar de nunca termos participado de um concurso de bandas, nosso tempo de estrada vai nos dar mais tranquilidade”, diz o baixista e vocalista Flávio Brito, que forma a banda ao lado de Márcia Raquel (vocal), Evandark (guitarra), José Alves (guitarra) e Denes Santos (bateria). O estilo abraçado pelo Obscurity Tears é o gothic doom, em que temas melancólicos, em geral longos e densos, abrem espaço para vocalizações femininas líricas, coadjuvadas por urros e timbres graves masculinos.

Também do interior vem Alkymenia, formada em 2003 e a caçula entre os concorrentes. O trio formado pelos irmãos Lalo (baixo e vocal), Sandro (guitarra) e Dennis (bateria) caminha na seara do thrash metal e vem de Caruaru – terra de bandas que fizeram história no underground pernambucano, como Storms, Extreme Death e Psych Acid. “Só de ter sido selecionado para no Wacken Metal Battle já é uma honra”, reconhece Sandro. A banda está em pleno processo de divulgação do primeiro EP, They don’t deserve respect e também participa da coletânea pernambucana Terra batida. Será a primeira apresentação dos caras no Recife. “O cenário no interior é muito forte e, para nós, é um reconhecimento do que fazemos estarmos disputando essa vaga”, diz Sandro.

Os recifenses do Oddium são veteranos da cena extrema pernambucana. Criada em 2004, conta com ex-membros e integrantes de formações seminais do estilo nos anos 80 e 90, como The Ax, Cruor, Putrefação, As The Shadows Fall e Torment. “É como se fosse uma eliminatória de Copa do Mundo no universo metal. Vamos entrar para ganhar”, diz o guitarrista Paulo Araújo. O trio é formando ainda pelo vocalista Jorge Picasso, o baixista Washington Pedro e o baterista Eduardo Torment). Com duas demos na bagagem, a banda gravando o primeiro CD, Mankind nightmare, no mais puro e clássico thrash metal. “Tem algo de death, mas resgatamos uma época em que metal era metal”, diz Paulo, que já tocou em bandas “alienígenas” como Os Cachorros e Sistema X.

Menos extremo e mais chegado a uma sonoridade técnica, o Caravellus chega como único representante dos fãs do metal melódico. O vocalista Raphael Dantas prefere rotular o som da banda como progpower. “Nisso já estão incluído os elementos neoclássicos no melódico, mas podemos ir do baião ao thrash sem problemas”, explica ele, que venceu um concurso nacional este ano para participar do segundo disco da ópera metal Soulspell. “Isso ajuda na divulgação e na questão de ficar menos nervoso”, continua Dantas, que tem como companheiros Glauber Oliveira (guitarra), Daniel Felix (teclado), Cleison Johann (baixo) e Pedro Nunes (bateria). O Caravellus já tem um disco lançado (Lighthouse and shed) fora do País e negocia o segundo álbum, que havia sido intitulado provisoriamente de Unchained.

Quem também conta com material lançado fora do Brasil é a brutal Infested Blood e seu death metal violento, desaconselhado para ouvidos mais sensíveis. O quarteto já lançou dois discos (The masters of grotesque e Tribute to apocalypse) e acaba de registrar em estúdio o seu terceiro, Interplanar decimation, a ser lançado pelo selo russo GoreArmaggedom – o mesmo que relançou na Europa os dois primeiros. Cristiano Alexandre (vocal), Diego Araújo (guitarra), Carlos Eduardo (baixo) e Beto Santos (bateria) são os únicos que já tiveram experiência com o Wacken Metal Battle, em 2006, em Salvador. “Sabemos que tudo conta. Desde a hora em que você começa a armar o seu equipamento até o fim do show. É pouco tempo para você mostrar seu trabalho. Então, você tem que ser o melhor possível naqueles 30 minutos”, explica Beto.
(Jornal do Commercio).