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Automedicação mata 20 mil ao ano

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Farmacêuticos e Anvisa alertam para perigos da ingestão de remédios sem prescrição. Na maioria das vezes, causam intoxicações e alergias, mas podem ser fatais

André Luís Santana
Agência A Tarde


SALVADOR – Para combater sintomas de um resfriado, a copeira Fernanda dos Santos Silva, 25 anos, usou um chá antigripal indicado por uma amiga. Ela conta que, rapidamente, o corpo se encheu de placas vermelhas que provocaram coceira. Quando uma vizinha ofereceu um antialérgico utilizado pela filha, Fernanda não pensou duas vezes. “Tomei e fiquei boa”, confessa. A jovem é uma entre milhares de pessoas que fazem uso cotidiano de medicamentos sem a devida recomendação médica.

Dados da Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma) indicam que cerca de 20 mil pessoas morrem por ano no Brasil vítimas da automedicação. Os maiores problemas estão relacionados a intoxicações e alergias. “Simples analgésicos podem mascarar um problema maior ou provocar reações alérgicas e intoxicações que agravam a doença”, destaca a secretária-geral do Conselho Regional de Farmácia da Bahia, Eliana Cristina Fiais.

Foram necessárias reações adversas para que a publicitária Claudia Loureiro, 25, descobrisse ser alérgica à dipirona. “Sempre que tomava medicamentos com esta substância, meus olhos inchavam”. As crises alérgicas não foram suficientes para evitar que Claudia fizesse uso de remédios sem orientação médica.

O último risco que correu, em 2009, está relacionado à quantidade inadequada de medicamento. Inconformada com o peso, a jovem procurou um endocrinologista que a receitou uma fórmula de emagrecimento. Para acelerar o processo, Claudia aumentou a dosagem do remédio. Em vez dos 10 mg recomendados, ela usou o de maior dosagem, com 15 mg. A reação surgiu poucas horas. “Eu estava dirigindo quando comecei a passar mal, com o coração acelerado. Fui direto para uma emergência.”
Farmacêutica há 20 anos, Eliana Fiais é taxativa quanto ao perigo de se alterar a quantidade do medicamento recomendada pelo médico: “A diferença entre o remédio e o veneno é a dose”, alerta.

O comércio de antibióticos no Brasil movimentou, em 2009, cerca de R$ 1,6 bilhão, segundo relatório do instituto IMS Health. Muito devido à venda livre nos balcões das farmácias, apesar da exigência de prescrição médica. “Na ausência do farmacêutico responsável, o balconista, muitas vezes sem qualificação, vende e até indica o medicamento sem a receita médica”, ressalta Eliana Fiais.

A facilidade para a compra de antibióticos tende a diminuir. É o que espera a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que no último dia 24 de março realizou uma audiência pública para discutir procedimentos mais restritivos para o comércio dos antibióticos. (Jornal do Commercio)