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A Voz da VitóriaA Voz da Vitória

Apoio não é adesão

  • A Voz da Vitória

por Hely Ferreira*

Durante o pe­río­do da pré-cam­pa­nha, as cos­tu­ras em busca de for­mar e am­pliar as alian­ças são uma cons­tân­cia na vida dos po­lí­ti­cos. Entretanto, mui­tos deles quan­do che­gam ao poder, es­que­cem aque­les que es­ti­ve­ram ao seu lado, ado­tan­do um com­por­ta­men­to an­ta­gô­ni­co em re­la­ção ao que de­fen­dia du­ran­te a la­bu­ta elei­to­ral, acre­di­tan­do que o poder seja algo eter­no e ig­no­ran­do que o mesmo é como uma roda gi­gan­te de um par­que de di­ver­são, onde há mo­men­tos em que se está por cima, em ou­tros, por baixo.

Em des­van­ta­gem, o can­di­da­to acre­di­ta que os an­ti­gos alia­dos es­ta­rão de pron­ti­dão para pres­tar so­cor­ro, es­que­cen­do-se que quan­do eles pre­ci­sa­ram da pre­sen­ça do líder-mor em suas campanhas, o mesmo com­por­tou-se como Pôncio Pilatos.

A Bíblia en­si­na que o homem co­lhe­rá ape­nas o que plan­tou, por­tan­to, quem plan­ta in­gra­ti­dão, re­ce­be­rá in­gra­ti­dão. Por qual mo­ti­vo na vida pú­bli­ca seria di­fe­ren­te?

É pra­ti­ca­men­te im­pos­sí­vel al­guém sair vi­to­rio­so nas urnas sem que exis­ta uma ampla alian­ça. Acreditar que o nome será su­fi­cien­te para obter êxito é, no mí­ni­mo, um com­por­ta­men­to in­gê­nuo. Não rara às vezes em que o pro­ble­ma está na falta de hu­mil­da­de de al­guns can­di­da­tos, pen­san­do que o elei­tor tem a obri­ga­ção de elegê-lo.

Ao re­ce­ber o apoio de de­ter­mi­na­da li­de­ran­ça, não sig­ni­fi­ca que a mesma es­ta­rá to­tal­men­te in­te­gra­da e, prin­ci­pal­men­te, se hou­ver que­re­las que não foram ci­ca­tri­za­das ao longo do tempo. Infelizmente, a in­gra­ti­dão se faz pre­sen­te na agen­da do ser hu­ma­no, e na po­lí­ti­ca pode ter con­se­quên­cias de­sas­tro­sas, que nos diga Richelieu.


por Hely Ferreira,
Cientista po­lí­ti­co
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