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Moreno

Alunos sem aula há 26 dias em Moreno

  • Marcio Souza
Alunos sem aula há 26 dias em Moreno

Foto: Guga Mattos / JC Imagem

Greve de professores afeta 8,5 mil estudantes da rede e sindicato protesta contra demissões e corte nas gratificações. Gestão justifica medida com crise financeira

Do JC Online

As portas do Colégio Noemi Guerra, no município de Moreno, estão fechadas há quase um mês. Todas as manhãs, crianças passam por lá com a esperança de encontrá-las abertas novamente. “Vai ter aula hoje, tio?”, pergunta Maria Carolina, 10, ao único professor encontrado na instituição. “Ainda não, volta amanhã para saber”, é a resposta de todos os dias. A situação é a mesma nas outras 31 escolas municipais da cidade da Região Metropolitana do Recife. É que os professores estão em greve desde o dia 2 de outubro por não aceitarem as demissões e o corte de gratificações determinado pela prefeitura para diminuir as despesas com o pagamento de servidores. Enquanto as negociações não avançam, os 8,5 mil alunos dos ensinos infantil e fundamental continuam em casa.

“Estou preocupada. Há semanas meus filhos não estudam, como vão passar de ano desse jeito?”, diz a dona de casa Rosineide Maria dos Santos, 37, que tem dois filhos no 5º ano do Colégio Cinco de Julho, no distrito de Bonança. Mesmo angustiada, a doméstica apoia a greve. “Sou a favor porque as escolas são péssimas. Faltam professores e manutenção. No colégio do meu filho, o banheiro está quebrado e o teto tem um buraco. Faz até medo que caia em cima dos meninos. Se não consertarem e as aulas voltarem, vou continuar preocupada mas agora com a segurança deles”, revela Rosineide.

Os problemas são apenas um indício da complicada situação do ensino em Moreno, que apresenta o menor Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) entre os 14 municípios do Grande Recife: 3,2 nos anos iniciais e 2,7 nos anos finais do ensino fundamental – a maior média foi a de Jaboatão dos Guararapes: 4,3 e 3,4 respectivamente. Além das más condições físicas, as escolas sofrem com falta de material de limpeza, porteiros e professores. Esses, por sua vez, tiram do próprio bolso o dinheiro dos pilotos e papéis utilizados em sala de aula. Para fechar o quadro, a gestão da pasta mudou três vezes em menos de dois anos.

Para o secretário de Educação, João Francisco da Costa, tudo passa pelo problema financeiro. “Sabemos que há muito o que fazer, mas não temos recursos. Quando o prefeito assumiu, encontrou R$ 12 milhões em dívidas e a folha de pagamentos estourada”, alega. Hoje, a despesa com pessoal é 70% da receita do município, percentual 16% superior ao que determina a Lei de Responsabilidade Fiscal (54%). Segundo ele, quando esses custos forem cortados, será possível investir. O problema é que as medidas tomadas para viabilizar a redução provocaram uma das greves mais longas da cidade. João Francisco é o quarto secretário de Educação desde a posse do prefeito Dilsinho Gomes (PSB), em 2012.