Folha de Pernambuco
Os cerca de 120 candidatos que não conseguiram realizar a matrícula na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), por conta do problema no preenchimento no sistema de cotas, não conseguirão ingressar na UFPE este ano. Pelo menos esse é o entendimento do procurador da República Anastácio Nóbrega Tahim Júnior, que representa o Ministério Público Federal (MPF) em Pernambuco. A informação foi repassada ontem a alguns pais dos alunos que entraram com requerimento na universidade pedindo que as suas matrículas fossem realizadas, após uma reunião entre o procurador e representantes da Comissão Organizadora do Vestibular (Covest), no MPF.
“Não podemos criar falsas expectativas. O fato de o nome desses alunos constarem no listão não significa que eles obtiveram notas suficientes para se matricular. Por mais que o erro tenha partido da Covest, ela teria que revê-lo”, comentou Anastácio Nóbrega. Os alunos que se dizem prejudicados tiveram seus nomes publicados no listão da Covest. Mas, no dia da matrícula, eles não conseguiram fazê-la. Ao divulgar o listão, a Covest os considerou como fazendo parte do grupo que teria estudado em escolas públicas e que tem o direito a um acréscimo de 10% na nota geral. No entanto, foi verificado, em seguida, que todos eles estudaram em escolas particulares.
De posse do Comprovante de Confirmação de Inscrição, que mostra que eles não optaram pela cota, os alunos afirmam que o erro partiu da Covest. Já os integrantes da Comissão alegam que os alunos mudaram de opção mais de uma vez de forma a tentar burlar o vestibular. “Isso é um absurdo. Não nos escrevemos com a opção de cotas. Eles erraram e têm que ser responsabilizados. Acusam a gente de uma coisa que não têm provas tentando fazer com que a sociedade engula essa mentira. Fiz vestibular por três vezes. Vi meu nome no listão e comemorei com todos os meus amigos. Fiz festa, raspei a sobrancelha. Isso não é brincadeira”, comentou Thaís Moreira, que tirou 6.9 na prova para Medicina e apareceu no listão com a nota de 7.59, graças ao acréscimo de 10%.
A Covest deve entregar, até a próxima quinta-feira, uma lista com a relação de candidatos que não conseguiram realizar a matrícula e uma cópia de todo o trâmite gerado pelo sistema de inscrição. “Todos esses candidatos optaram pelo sistema de cotas e depois mudaram de opção e imprimiram o documento que mostra que não optaram pelo sistema. Teve gente que fez essa mudança 30 vezes. Vamos trazer todos os registros que comprovam isso”, afirmou um dos membros da Comissão, Décio Fonseca.






