Por Hely Ferreira*

Durante o chamado período pré-socrático, os filósofos, de maneira exaustiva, buscaram explicar a origem das coisas. Dentre eles, um cidadão natural de Mileto que se chamava Tales. Em sua teoria defendeu que tudo tem início pela água. Falar de água na região do Nordeste brasileiro é algo sempre desafiador, sendo às vezes entendido como provocação.
Os meios de comunicação têm divulgado que estamos vivendo um dos piores períodos de seca no Sertão nos últimos cinquenta anos. É bem verdade que a região é inóspita, mas grande parte do problema está ancorado na falta de vontade política em querer resolver. Ora, infelizmente, há muitos que se perpetuam no poder através das agruras da vida do seu semelhante e no caso da água, a mesma é utilizada como um caminho para resultados “gloriosos” nas urnas.
A velha prática do carro-pipa ainda funciona, e é justamente assim que muitos obtêm sucesso eleitoral. Os discursos rebuscados, as antigas promessas de melhoramento, ecoam apenas como objeto de retórica persuasiva, já que no íntimo de grande parte da classe política, não existe interesse para que ocorram grandes mudanças.
Há aqueles mais eufóricos, que tentam explicar o “fenômeno” pelo campo teológico, de um lado é vontade de Deus, do outro é a conduta idólatra dos habitantes da região. Se o problema for por causa da suposta idolatria, como explicar os idólatras prósperos? Na verdade, esses argumentos dão robustez ao descaso para com a população sertaneja, como se não houvesse uma perversidade patrocinada por aqueles que se apresentam como representantes do povo.

Por Hely Ferreira,
Cientista Político.







