WASHINGTON (EUA) – A Agência Espacial Americana (Nasa) descobriu quantidades significativas de água congelada em solo lunar. O anúncio foi feito ontem e abre novas perspectivas à exploração do satélite terrestre e do sistema solar. “Encontramos água, não pouca, mas uma quantidade importante”, afirmou em entrevista à imprensa Anthony Colaprete, responsável científico da missão Lunar Crater Observation and Sensing Satellite (Lcross), que custou US$ 79 bilhões e que realizou a descoberta.
Segundo ele, numa cratera de 20 a 30 metros foi encontrado o equivalente a pelo menos uma dezena de cubos de 7,5 litros cada um. Colaprete ressalta, no entanto, que esses foram os primeiros resultados. “A descoberta abre um novo capítulo em nossa compreensão da Lua”, assinalou um comunicado da Nasa.
Os dados foram descobertos depois que a Nasa realizou dois choques sucessivos contra a superfície lunar, em 9 outubro, para investigar a presença de água. A sonda LCross atingiu a cratera Cabeus logo após o impacto do foguete Centauro no polo sul, na face oculta da Lua. A nuvem de pó e as rochas resultantes das colisões foram analisadas pela sonda para detectar a possível presença de moléculas de água.
A nuvem também foi analisada por telescópios de todo o mundo, assim como o Hubble. O impacto enviou enorme nuvem de material a partir das entranhas de uma cratera que não vê a luz solar há quatrilhões de anos. “A compreensão da concentração e da distribuição de água e de outras substâncias requer análises posteriores, mas podemos assegurar que Cabeus tem água”, acrescentou. No entanto, os planos ambiciosos para voltar a levar astronautas americanos à Lua, em 2020, e estabelecer bases lunares humanas para a posterior exploração de Marte, como parte do projeto Constellation, estão sendo questionados.
SONHOS
A Lua, novamente centro de corrida espacial internacional, poderá ser a chave do nascimento de nosso planeta há 4,5 bilhões de anos, e ajudar a desentranhar os segredos mais antigos do universo.
Quarenta anos depois de o americano Neil Armstrong caminhar pela primeira vez sobre a Lua e num momento em que os Estados Unidos aspiram a voltar a enviar astronautas ao satélite natural da Terra, por volta de 2020, ela continua sendo um objeto de fascinação e curiosidade.
O anúncio de ontem provavelmente relance os sonhos da humanidade de colonizar o satélite terrestre. Parte do objetivo de regressar à Lua é aprender mais sobre seus recursos naturais ocultos. À medida que os recursos naturais da Terra diminuem gradualmente, alguns cientistas acreditam que a Lua poderia ser mina de ouro para gerações futuras.
Entre os 382 quilos de rochas e solo lunar trazidos por astronautas nas seis missões Apollo, entre 1969 e 1972, os cientistas descobriram uma rocha que batizaram “gênesis”, de 4,5 bilhões de anos, e estimam que pode ter estado presente na geração de nosso sistema solar.
(Jornal do Commercio)







