
MATA ATLÂNTICA Fazenda de Lagoa dos Gatos recebeu, ontem, título de reserva particular ao proteger 330 hectares de floresta
Uma área de 330 hectares de Mata Atlântica é a mais nova unidade de conservação privada de Pernambuco. Com 237 espécies de aves, 10 delas ameaçadas de extinção, a Fazenda Pedra Danta, em Lagoa dos Gatos, Agreste, a 160 quilômetros do Recife, recebeu, ontem, o título de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).
A propriedade, com 362 hectares, foi adquirida em 2004 pela organização não-governamental Save Brasil. A mata forma, ao lado de outra RPPN a Frei Caneca, um contínuo florestal de aproximadamente 1.000 hectares. Essa área, denominada Serra do Urubu, é o último refúgio do limpa-folha-do-nordeste, um pássaro que sofre forte ameaça de extinção, diz a ornitóloga Tatiana Pongiluppi, assessora de Educação Ambiental da Save Brasil.
Segundo a pesquisadora, muitas das espécies que abrigam a Serra do Urubu dependem da floresta preservada para sobreviver. São aves sensíveis a alterações no meio ambiente. Por isso é importante proteger a área, atesta. O trabalho de reflorestamento e educação ambiental em Pedra DAnta, destaca Tatiana, é desenvolvido em parceria com a Associação para a Proteção da Mata Atlântica do Nordeste (Amane).
Entre as 10 espécies ameaçadas de extinção encontradas na propriedade, uma é restrita ao local. Trata-se do limpa-folha-do-nordeste, conhecido pelos cientistas como Philydor novaesi, um pássaro avermelhado que se alimenta de insetos e aranhas que captura na copa das árvores. Antes era encontrada em Murici, município de Alagoas, mas desde 2005 é avistada apenas na Serra do Urubu, informa a ornitóloga.
Outra raridade dessa lista de 10 espécies é o pintor-verdadeiro, denominado Tangara fastuosa no meio científico. Com penas coloridas, o que lhe valeu o título de espécie símbolo da Mata Atlântica do Nordeste, a ave é restrita à porção do bioma compreendida entre Alagoas o Rio Grande do Norte. Chamado de Centro de Endemismo Pernambuco, esse trecho da floresta atlântica é rico em espécies exclusivas.
O pintor-verdadeiro come principalmente frutas, tendo preferências pelas da família das melastomatáceas, a mesma da quaresmeira. Frequenta bandos mistos, podendo também ser vista em grupos ou pares. Mais generalista que o limpa-folha-do-nordeste, frequenta tanto o interior quanto a borda das florestas, tolerando um certo grau de perturbação no ambiente.
A Pedra DAnta será a décima RPPN criada pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH). A primeira, em 1997, foi a Fazenda Tabatinga, em Goiana. O proprietário desse tipo de unidade de conservação tem isenção de impostos rurais e a garantia de que a área será protegida para sempre.
Ao ser averbada em cartório, uma RPPN não pode nunca ser alterada. O imóvel pode ser vendido ou repassado para herdeiros, mas não deixará se ser uma reserva, esclarece.






