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Advento da Sadia pode comprometer abastecimento d’água de Vitória

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A Audiência Pública realizada na última sexta-feira (16), no Clube O Leão, promovida pela CPRH, Governo do Estado e a Sadia, foi apresentada os possíveis impactos que podem advir com a implantação dos empreendimentos da Sadia e a discussão do Relatório Ambiental Preliminar (RAP). A multinacional deve inaugurar aqui em Vitória o projeto piloto de “Carbono Zero”, que restringe a emissão de gás carbônico no meio-ambiente. A unidade, primeira no Nordeste, deverá consumir 1/3 de toda água potável que abastece o Município da Vitória de Sto. Antão, em virtude do grande volume de água que será necessário para a sua produção, visto que trabalhará com produtos o qual a unidade produzirá 149 mil toneladas/ano de salsichas, lingüiças, apresuntados, lanches e outros embutidos, boa parte derivados do frango e suínos.
Em seu discurso de abertura do evento, o governador Eduardo Campos falou sobre a importância da chegada da Sadia ao Estado. “O empreendimento vai trazer o desenvolvimento ao interior e deve atrair outros investimentos de grande porte. Representa a retomada do desenvolvimento de Pernambuco, o que vem reforçar o momento tão positivo que vive o nosso Estado”, afirmou. Eduardo Campos também ressaltou a importância da participação popular, afirmando ser uma marca de seu governo. “É uma maneira democrática de se fazer as coisas, conversando com o povo, ouvindo toda a sociedade. Dessa maneira, poderemos aproveitar ao máximo todos os impactos positivos da chegada de uma planta como a da Sadia”, ressaltou. “Há muitos anos Pernambuco precisava ganhar, hoje graças à conjugação de forças e a nossa força de trabalho agora é colher frutos”, finalizou.
O Governador ainda lembrou que a Sadia aproveitará a produção local para fazer o intercâmbio comercial. Apesar de a Sadia levantar o compromisso de reflorestar as margens do Rio Itapacurá, reservando também um grande terreno para plantação de árvores, vale salientar que estas árvores são eucaliptos (que servirá para defumar os seus produtos). Futuramente a nossa cidade precisará ter uma rígida vigilância sanitária de modo a controlar a criação de porcos, galinhas, perus etc., visto que estes animais serão comprados pela fábrica. Outra ação é executar o Plano Diretor da cidade a fim de dirimir os gargalos urbanos que advirão com a demanda populacional.
Até o momento Vitória detém um abastecimento d’água deficitário e um sistema de esgotamento sanitário precário. Apesar das reflexões deixadas nesta Audiência por parte da equipe de professores da Faculdade Osman Lins (FACOL), não foi esclarecido nesta, de onde virá a grande quantidade de água potável que será usada pela fábrica. Isso nos preocupa, pois se espera o funcionamento da fábrica em dezembro de 2008 e até agora não vimos uma ação macro governamental que resolva este dilema visto não comprometer ainda mais o racionamento de água que o povo vitoriense submete-se viver atualmente.

Por Lissandro Nascimento.