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A Voz da VitóriaA Voz da Vitória

A Voz do Pará

  • A Voz da Vitória

por Hely Ferreira*

Em 1998, estive pela primeira vez em Belém do Pará. Desde então, procuro sempre visitar parentes e amigos que residem naquela bela e inobliterável cidade. Como toda a região Norte do Brasil, a capital paraense é privilegiada pelo avantajado número de artistas, e muitos deles, por opção, transitam apenas na Marajoara.

O ano passado escutei um trabalho da cantora Fafá de Belém, em que está regravada uma das mais belas canções da MPB, intitulada “Foi Assim”. Para minha surpresa, no referido CD que a intérprete paraense gravou ao vivo no belo Teatro da Paz, ela divide uma das faixas com um cantor de voz possante e indefectível chamado de Walter Bandeira.

Recorri de imediato à professora Elinilze Guedes Teodoro (prima querida), para saber quem era aquele impávido artista que tinha a alcunha de “a voz do Pará”. Fui aconselhado a obter informações com a ilustre professora de Música Deolinda Gonçalves, que não poupou elogios ao conterrâneo, mas acrescentou que o mesmo havia falecido.

Sabedor de que o Brasil não costuma reverenciar quem realmente merece, sinto-me no dever de escrever um pouco a respeito de Walter Bandeira.

Nasceu em Belém do Pará, em 31 de agosto de 1941. Era cantor, ator, pintor, locutor de rádio, e ainda encontrava tempo e dedicação para também exercer o cargo de professor da Universidade Federal do Pará, onde lecionava voz e dicção. Por volta da década de 1960, mais precisamente entre 1967 e 1968, Walter Bandeira fez história cantando em uma boate de nome Tic Tac, sempre respeitado pelas grandes intérpretes da sua terra de expressão nacional (Jane Duboc, Fafá de Belém e Leila Pinheiro).

Como ator, participou do filme “Lendas Amazônicas”, ao lado de Dira Paes, além de ter atuado em várias peças teatrais. Embora gozasse de grande prestígio, nunca desejou sair para ocupar espaços maiores. Pelo contrário, sempre preferiu, como Kant, não deixar a sua terra natal em busca de novos horizontes.
Aos 67 anos, no dia 02 de junho de 2009, o barítono silenciou deixando um grande legado.


por Hely Ferreira,
é Cientista político.