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"A democracia brasileira clama pelo financiamento público de campanha", atesta Sérgio Goiana

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"A democracia brasileira clama pelo financiamento público de campanha", atesta Sérgio Goiana

por Sérgio Goiana

O sistema político brasileiro está agonizando há décadas devido a falta de uma reestruturação profunda que altere as regras das eleições em nosso País. Uma maior participação popular e normas que evitem a corrupção na política são imprescindíveis para fortalecermos a nossa democracia. No Brasil, práticas como a troca de interesses entre políticos e empresas financiadoras de suas campanhas transformam a política nacional em uma banca de negócios.

Enquanto isso, a população se desinteressa cada vez mais pelos debates e rumos de nossa política, o que enfraquece a ainda muito frágil democracia brasileira. Em 2013, milhares de jovens foram às ruas pedindo o combate a corrupção. Estavam se referindo aos conchavos financeiros que enriquecem políticos e gestores públicos das mais diversas esferas dos poderes Executivo e Legislativo, beneficiando ainda grandes empresários.

Mas como combater essa corrupção? Antes de tudo precisamos por um fim ao financiamento privado de campanha. Atualmente possuímos um sistema misto de financiamento de campanha. A ideia é tornar a campanha eleitoral exclusivamente pública. Mas por qual motivo? E porque muita gente é contra esse financiamento, inclusive a grande mídia nacional?

A verdade é que o financiamento privado de campanha tem enriquecido muitos políticos e empresários ao possibilitar os mais escabrosos acordos financeiros. Boa parte das empresas que financiam os políticos fazem isso com o objetivo de conquistar altos ganhos financeiros. Investem milhões em um candidato. E quando esse candidato é eleito passa a trabalhar em defesa da empresa. Muitas vezes realizando obras ou adquirindo equipamentos ou materiais com dispensa de licitação ou licitações fraudulentas. Com isso, trilhões de Reais vêm escorrendo pelo ralo, ano após ano.

Importante destacarmos que essas empresas são grandes anunciantes nos meios de comunicação nacional. E grande parte desses meios defendem os interesses dessas empresas e não o interesse do povo. O financiamento privado torna ainda o processo eleitoral desigual, favorecendo os candidatos que recebem montantes em dinheiro, em prejuízo daqueles que contam com poucos recursos e não entram no jogo do ‘toma lá, dá cá’.

Os que demagogicamente são contrários a essa mudança afirmam que os candidatos irão continuar sendo financiados pelo Caixa 2. Mas com o repasse de um mesmo montante de recursos para todos, a depender do cargo a que irão concorrer, a fiscalização por parte dos órgãos competentes será muito mais tranquila, uma vez que quem utilizar uma quantidade desproporcional de material de campanha ficará em evidência.

Essa é, ao meu ver, a principal mudança pela qual o sistema político deveria passar. Temos outras que deverei abordar em um artigo posterior. Mas com o financiamento público já estaremos dando um salto muito importante para a consolidação de nossa democracia e combate a corrupção.

 

 

por Sérgio Goiana,

ex dirigente da CUT e ex Coordenador do Sindsep-PE. É candidato a deputado estadual pelo PT.

 

 

 

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