Por meio de uma portaria interministerial, o governo criou a Comissão Nacional para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável e um Comitê de Organização da Rio+20 formado por mais de 25 ministérios e representações de trabalhadores, empresários, ONGs, povos indígenas, comunidades acadêmicas e tradicionais. No Rio, o movimento social realizou o Seminário Internacional Facilitador da Rio+20, um segmento de mais de cinco mil ONGs.
No Senado, a Comissão de Relações Exteriores e da Defesa Nacional criou uma Subcomissão, da qual sou presidente, para acompanhar os trabalhos da Reunião da Rio+20. A Subcomissão está a realizar debates sobre os problemas previstos para o futuro, tendo por objetivo, mobilizar a opinião pública, especialmente os jovens, para os riscos e as alternativas existentes e para elaborar propostas que possam ser encaminhadas ao governo brasileiro como base do documento que será levado à reunião de cúpula.
Água, energia, alimentação, superação da pobreza e a economia verde já foram temas debatidos na Subcomissão. Porém, para a Cúpula do Futuro tenho mais perguntas do que respostas. No momento já são 43 temas e 170 perguntas que podem ser encontradas no endereço eletrônico www.cristovam.org.br.
Identificado com o crescimento econômico, o progresso apresenta limites ecológicos. Os recursos naturais não são suficientes para atender a todos os habitantes da Terra com os padrões de consumo dos ricos do mundo. Uma alternativa, que parece em marcha, é a de manter o mesmo rumo do progresso-crescimento apenas para poucos. É a opção pela exclusão social.
Assim, os países ficam divididos entre duas populações: os que estão dentro da Cortina de Ouro e formam um Primeiro Mundo Internacional dos Ricos e os que estão fora e formam um Gulag Social de Excluídos. Se não quisermos manter a exclusão por uma apartação – apartheid social -, o caminho será reorientar o modelo de civilização. E a chance para esta reorientação está na Reunião de Cúpula de 2012 – a Rio+20.
Para esta reunião dar certo são necessárias a disponibilidade de infraestrutura, a presença de chefes de Estado e de governos com representatividade e a elaboração de uma Carta do Rio para o Mundo.
A sociedade civil pouco pode fazer pela infraestrutura e disponibilidade, mas pode ajudar a debater os temas e elaborar proposta para cada problema que a humanidade enfrenta. Deve também definir qual é o sistema civilizatório que poderá conduzir a humanidade de forma sustentável, capaz de elevar o bem-estar de toda humanidade, marcando o equilíbrio do homem com a natureza.

é professor da UnB e Senador pelo PDT-DF.







