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"A BR 232 não será privatizada", afirma Eduardo Campos

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O governador confirmou que autorizou a elaboração de um projeto de recuperação da BR-232, principalmente a parte de drenagem em vários dos trechos entre Recife e São Caetano. O Estado deve investir R$ 90 milhões. Eduardo, no entanto, quer evitar uma contenda política. “Não faz sentido estimular uma rinha política”, disse, referindo-se ao fato da estrada ter sido duplicada na gestão de Jarbas Vasconcelos. Ele abordou a questão em entrevista no seminário do Todos por Pernambuco, em Vitória de Santo Antão.

Maior vitrine dos governos Jarbas Vasconcelos/Mendonça Filho, executada, em boa parte, com recursos da venda da Celpe, a obra já apresenta rachaduras em placas no trecho duplicado. O socialista contou que, no fim da gestão Mendonça, em 2006, o Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Pernambuco (DER) enviou parecer à Procuradoria-geral do Estado (PGE) pedindo que as construtoras e projetistas responsáveis pela intervenção fossem processados. O que, na opinião de Eduardo, seria o reconhecimento, por parte dos adversários, de “falhas construtivas” no processo. O caso encontra-se na Justiça.

Eduardo explicou que o problema é a ausência de drenagem em alguns trechos onde ocorrem infiltrações nos períodos de chuva. As fissuras aumentam em decorrência do alto fluxo de veículos pesados. O método construtivo que foi aplicado, com uso de placas de concreto, tem validade de 30 anos, a contar da conclusão da obra. “O fato é que, com seis anos, não é para uma rodovia dessas estar com placas rachando. Isso é uma falha construtiva, inclusive admitida pela gestão que nos antecedeu”, argumentou Campos.
“Está na Justiça a briga (entre construtoras e projetistas), cada um dizendo que tem razão. Cabe ao Judiciário tomar a decisão. O que é que estamos vendo? Chegou um momento em que estamos tendo algumas áreas de risco de vida para pessoas. Decidimos agir, intervir, catalogar (em 18 pontos críticos). Tudo que for feito nesses trechos vai ser documentado, cadastrado, acompanhado pelo Tribunal de Contas e remetido à Justiça. É um problema do Executivo, sim, porque tem que corrigir”, destacou o governador.
O socialista negou, entretanto, que tenha feito do problema “uma rinha política” com a oposição. “Não entrei nesse debate para não parecer que estava querendo alimentar rinha política de uma obra importante, que foi feita pelo governo que me antecedeu. Nunca fiz oposição à obra da 232. No nosso governo, completamos de Caruaru a São Caetano”, garantiu Campos, lembrando que o Estado ainda não recebeu os repasses do Dnit referentes à duplicação da rodovia – o valor gira em tor­no de R$ 90 milhões e R$ 120 milhões.

Com relação a cobrança de supostos pedágios cobrados, apesar de já ter recebido propostas de fundos de investidores e empresas que administram rodovias interessados em assumir a BR-232, o governador adiantou que não aceitará nenhuma proposição. “Nosso governo não vai fazer isso, podem ficar tranquilos. O que vamos fazer é corrigir a rodovia. Isso não quer dizer que a gente não possa fazer novas rodovias com pedágio”, explicou Eduardo, citando como exemplo uma estrada paralela à PE-60, nas proximidades de Suape.

Ao responder questionamentos do Blog A VOZ DA VITORIA, o governador afirmou que nem a BR-232 ou qualquer outra estrada já existente no Estado será privatizada. E informou ainda que o governo está trabalhando como pode para manter a 232 em bom estado. Por impedimento de ordem judicial (processos referentes a falhas na execução da duplicação da rodovia), a BR não pode receber grandes intervenções.
Respondendo indagações sobre a ação do governo nas áreas atingidas por enchentes no ano passado na Mata Sul, o socialista informou que estão sendo erguidas 8,5 mil casas e que o primeiro lote delas será entregue em julho, em Palmares.



por Lissandro Nascimento,
com informações da coletiva.