Se cidades médias de vários portes, como Vitória de Santo Antão entre outras, ganharam fôlego por distintas razões, como potencializar seu dinamismo para construir um Estado menos concentrado no Litoral/Mata?
por Tania Bacelar de Araujo
Na primeira década do século XXI, quando o Brasil viveu um bom momento na sua trajetória de desenvolvimento, Pernambuco conseguiu se inserir muito bem. A economia estadual, saída de um momento de grandes dificuldades no final do século passado, se recuperou e passou a crescer a taxas superiores à média nacional. Mais que isso: se redefiniu.
Como 2014 é um ano eleitoral, o debate começou a se desenhar com foco equivocado: caberia a Lula/Dilma ou a Eduardo o mérito das mudanças experimentadas?
Um exame desapaixonado não pode desconhecer impulso fundamental vindo de decisões federais nem a competência do governo estadual para criar um ambiente favorável e avançar em novas conquistas. A presença do complexo portuário-industrial de Suape, obra de muitos, também teve peso relevante no que aconteceu. O debate, portanto, precisa ser outro.
Outro é o ambiente internacional, onde a crise que se instalou em 2008/2009, associada a mudanças estruturais em curso, sinaliza para um novo ambiente nas próximas décadas. Outro porque o Brasil mudou muito nos anos recentes, mas vem patinando e requerendo o enfrentamento de novos desafios. E este contexto já está impactando em Pernambuco.
Percebe-se, em 2013, que o ritmo de crescimento já não foi o mesmo, que a fase de instalação de numerosas e importantes obras públicas e privadas começa e perder força, com a construção civil realizando demissões (cujo ritmo vai se acelerar com a conclusão das obras na Refinaria Abreu e Lima). Sabe-se que 2014 e 2015 serão anos de transição, nos quais a economia pernambucana vai vivenciar um “período – ponte” entre uma etapa anterior (2005-2013) marcada fortemente pelos estímulos ao consumo e pelos efeitos da implantação de importantes empreendimentos, para outra etapa em que a indústria de transformação vai ampliar sua participação no tecido produtivo estadual e gerar efeitos estimulantes no terciário, em especial nos serviços de apoio à produção. Período no qual se vai colher o que foi plantado, e agora num novo patamar, vai ser preciso fazer novas escolhas.
O debate é sobre o que deve vir, após momento de forte dinamismo e grandes mudanças. Que novos desafios estratégicos devem ser enfrentados. Que desvios devem ser evitados. Se a miséria diminuiu, mas ainda cerceia a vida de muitos pernambucanos, como ampliar os avanços alcançados?
Se a oferta de ensino médio e profissional e de ensino superior se expandiu significativamente, como enfrentar, agora, o desafio histórico da melhoria da qualidade do ensino básico, uma das mais importantes “máquinas de geração de desigualdades” no Estado e no País? Se um tecido industrial novo começa a operar, que desdobramentos prioritários devem ser buscados, criando elos adicionais nas novas cadeias e articulando a base pré-existente? Se as velhas bases produtivas rurais (complexo canavieiro e complexo gado/algodão) aprofundam crise antiga, que alternativas patrocinar? Se cidades médias de vários portes, como Caruaru, Petrolina, Garanhuns, Salgueiro, Serra Talhada, Vitória de Santo Antão, Gravatá, entre outras, ganharam fôlego por distintas razões, como potencializar seu dinamismo para construir um Estado menos concentrado no Litoral/Mata? Se a Região Metropolitana do Recife se reestrutura, como melhorar a qualidade de vida urbana e prepará-la para novos desafios?
Se a desertificação avança nos sertões e o mar avança no Litoral, que projetos estratégicos não podem deixar de ser implementados e que práticas predatórias devem ser abandonadas? Se a cultura e o conhecimento se entrelaçam cada vez mais e ganham espaço com a chamada “economia criativa” como tirar proveito deste grande potencial pernambucano?
Esta é apenas parte da agenda. Mas já indica que mais que olhar para trás é fundamental olhar para frente! Bem vindo 2014!
por Tania Bacelar de Araujo
é Professora da UFPE e sócia-diretora da CEPLAN.







