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“Mundo sem droga é tão difícil quanto sem sexo”

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Rafael Andrade/Folha Imagem
O GOVERNO de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) não avançou na temática

RIO DE JANEIRO (Folhapress) – O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, 78, afirmou ontem que existir um “mundo sem drogas’’ é tão difícil quanto um “mundo sem sexo’’. Presente à reunião de criação da Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia, no Rio, ele voltou a defender a descriminação do uso da maconha, a adoção de política de redução de danos e o atendimento a usuário de drogas na rede pública de saúde.

“Imaginar um mundo sem drogas é um objetivo difícil de alcançar. A humanidade sempre usou algum tipo de droga. Então, é como imaginar um mundo sem sexo”. FHC defendeu campanhas para desestimular o uso de drogas e sugeriu como modelo o bem avaliado programa de combate à Aids do Brasil. “Nossa luta foi, em vez de sem sexo, com sexo seguro. Mudou o paradigma. Foi-se para a TV ensinar como se usava camisinha em um país católico. (…) Na época, nos EUA a ideia era não sexo. Aqui era sexo seguro’’, disse, lembrando que o programa também adotou a distribuição de seringas como forma de redução de risco para usuários de drogas.
O grupo criado ontem tem como inspiração a Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, presidida por FHC e outros dois ex-presidentes: César Gaviria (Colômbia) e Ernesto Zedillo (México). O fórum reuniu na Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) representantes de diferentes setores, como a ministra do Supremo Tribunal Federal Ellen Gracie, o economista Edmar Bacha, a atriz Lilia Cabral e a presidente do Instituto Ayrton Senna, Viviane Senna. O presidente da fundação, Paulo Gadelha, presidirá a comissão.
GOVERNO
Durante seus dois mandatos (1995-2002), FHC não avançou no tema das drogas. A lei aprovada no Congresso em 2002 – e parcialmente vetada por ele – praticamente não distinguia o usuário do traficante. O tucano criou a Senad (Secretaria Nacional Antidrogas, atualmente de Políticas sobre Drogas), à época com caráter mais repressivo, sob o chefia de um militar, o general Alberto Cardoso -receita repetida pelo governo Lula e hoje criticada por entidades internacionais.
(Folha de Pernambuco).