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Vitória de Santo Antão

Polícia quebra esquema de extorsão e lavagem de dinheiro em Presídio da Vitória de Santo Antão

  • Lissandro Nascimento
Polícia quebra esquema de extorsão e lavagem de dinheiro em Presídio da Vitória de Santo Antão

Polícia Civil deflagra Operação Controle Paralelo contra esquema de extorsão, corrupção e lavagem de dinheiro em unidade prisional de Vitória. Chaveiro agredia e extorquia presos em Presídio com a conivência da ex-direção.

Uma estrutura criminosa que utilizava a violência física e a chantagem contra detentos e seus familiares dentro do sistema prisional da Vitória de Santo Antão, na Mata Sul de Pernambuco, foi o alvo da Operação Controle Paralelo, deflagrada nesta terça-feira (25.08) pela Polícia Civil de Pernambuco (PCPE). Conduzida pelo Grupo de Operações Especiais (GOE), a ação resultou na prisão do ex-diretor da unidade prisional, Emanoel Roberto França de Lima, e de um policial penal, Mário Alves Batista, além da apuração de crimes de extorsão, corrupção e lavagem de dinheiro.

No centro da engrenagem ilícita estava um detento que atuava informalmente como “chaveiro”, controlando um dos pavilhões da unidade. De acordo com as apurações, o detento cobrava quantias em dinheiro para conceder regalias no cárcere, como acomodações em espaços privilegiados nas celas e o uso de colchões.

Quando as dívidas não eram quitadas, os presos sofriam agressões físicas, e a cobrança era transferida para as famílias fora do Presídio sob ameaça de continuidade da violência.

“O que ficou demonstrado é que havia uma estrutura de controle paralelo dentro da unidade prisional. O chaveiro exercia um poder de fato sobre outros presos e utilizava a violência como instrumento de cobrança. Os familiares eram constrangidos a pagar porque já sabiam que, caso não houvesse o pagamento, as agressões poderiam continuar”, explicou o delegado Jorge Pinto, titular do GOE.

Os suspeitos são investigados desde 2022, após provocação do Ministério Público (MPPE). Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Criminal da Comarca da Vitória de Santo Antão.

Contas que recebiam o dinheiro

O avanço das investigações revelou que o dinheiro vindo do constrangimento ilegal alimentava uma rede de lavagem de capitais. Os valores extorquidos eram pulverizados em contas bancárias pertencentes a policiais penais, parentes de agentes públicos e até em uma empresa do ramo da carcinicultura (criação de camarões), aberta pelo próprio presidiário para dar aparência legal aos recursos, localizada na praia de Porto de Galinhas, em Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco.

Segundo a Polícia Civil, a permanência e a ascensão do chaveiro no comando informal do pavilhão contavam com a conivência e a proximidade do ex-diretor do estabelecimento penal.

“As transações financeiras foram fundamentais para ampliar o alcance da investigação. Identificamos valores que saíam desse núcleo criminoso e eram pulverizados em contas de terceiros, inclusive ligados a agentes públicos, até chegar a uma empresa utilizada para conferir aparência lícita ao dinheiro. A finalidade era justamente distanciar o produto da extorsão de sua origem criminosa”, revelou o delegado Jorge Pinto. O estabelecimento pertence ao ex-chaveiro, que desde 2024 está solto e agora novamente é considerado foragido.

“A investigação aponta que essa relação não era meramente circunstancial. Há elementos que demonstram proximidade, inclusive financeira, e que precisam ser analisados dentro do contexto de corrupção e da utilização da estrutura criminosa para movimentação e ocultação dos valores provenientes das extorsões”, contou.

Delegados Lucas Freitas, Jorge Pinto, Paulo Dias, José Tenório, Cley Anderson. Fotos: Divulgação/PCPE

Alvos foragidos

Ao todo, a Justiça expediu seis mandados de prisão temporária, dos quais três tinham como alvos policiais penais. Na primeira fase do cumprimento das ordens judiciais, quatro investigados foram detidos: o ex-diretor do presídio, um policial penal, um suspeito de atuar no braço financeiro do esquema e o sobrinho do detento líder, pego em posse de uma Espingarda calibre .12. Robson Saturnino de Paula Júnior, pescador, preso no bairro da Imbiribeira, na Zona Sul do Recife; e Aluisio José Gomes Júnior, identificado como técnico, capturado em Vitória.

Antes de ser preso, o ex-diretor do Presídio da Vitória de Santo Antão estava lotado na unidade de Palmares, na Mata Sul do Estado, sem ocupar cargos de liderança. Emanoel França foi preso no Município de Escada.

O ex-chaveiro da unidade e outro policial penal não foram encontrados nos endereços vasculhados e passam a ser considerados foragidos da Justiça. Na casa do detento foragido, os agentes apreenderam três armas de fogo prontas para uso.

A Justiça ainda autorizou o bloqueio de bens dos investigados, com valor de aproximadamente R$ 3,5 milhões.

As diligências do GOE prosseguem para localizar os alvos restantes e aprofundar o rastreamento dos ativos financeiros movimentados pela organização.